PRÓSERTÃO ALEGRE

Eu me chamo Geovane, tenho 3 irmāos meninos e moro na zona rural do município de Barras./Piauí. O nosso assentamento se chama Lagoa Preta, mas todo mundo o chama de Alegre porque tem um sítio perto com esse nome. 12 anos atrás os nossos pais moravam naquele sítio e o cultivaram. O velho dono achou ótimo e nāo se importou conosco. Chegou o dia quando o velhinho morreu e os herdeiros expulsaram todas as famílias daquele sítio. Assim a prefeitura de Barras construiu um assentamento com 28 casas para a gente morar. Hoje tem mais ou menos 35 casas no nosso assentamento. Eu tenho 11 anos e já nasci na nova casa. As casas sāo construídas com tijolo e tem 3 cômodos. Sāo muito pequeno e assim os meus pais aumentaram a casa com um alpendre de taipa bem simples. Quando ainda era bem pequeno o nosso pai nos largou e a māe se juntou com o nosso padrasto. Ele é bom para com a gente, mas a nossa vida nāo é mil maravilhas porque a nossa māe começou a beber cerveja e tem dias que ela é bêbada. Acho muito difícil. Nos nāo temos um colégio no assentamento e por isso temos que ir até a cidade para estudar. Cada manhā ou tarde a prefeitura manda um ônibus para pegar as crianças e deixar elas na porta do colégio. Quando as aulas terminam, o ônibus vem e nos leva de volta para casa. Nestes 16 km de viagem a gente faz muito barulho no ônibus e tem dias que tem confusão e briga. Já aconteceu que o motorista parou e falou duro com a gente. Faz 5 anos que os missionários Pr. Martin e Susanne abriram uma turma da atuação voluntária aqui no assentamento e a māe deixou o meu irmão mais velho e eu participar as aulas. Eu e meu irmão eramos bastante danados. Nunca tínhamos ouvido coisas sobre Deus. Nunca recebemos correção com amor. O que recebemos era xingamentos e gritos dos nossos pais. Assim eu também comecei a xingar. Eu nāo me controlava e cada coisinha me zangava muito. Muitas vezes eu rasquei a tarefa feita e a joguei no lixo. Quando a tia veio ver, eu nāo quis mais fazer nada e fiquei como a cabeça na mesa sem falar. Foi difícil para mim e para a tia também. Mas eu sempre frequentei as aulas. Raramente faltei porque gostei muito ouvir histórias e sempre teve alguma merenda gostosa. Com o passado tempo aprendi me comportar melhor e hoje nāo rasgo mais as tarefas, nāo xingo mais e eu já sei orar em voz alta. Eu amo Deus e quero continuar viver com ele. Ainda nāo sei o que eu quero ser quando crescer, mas uma coisa eu sei: eu quero estudar e me formar para sustentar e ajudar a minha família aqui no assentamento. Quem sabe se eu vou ter uma vida um pouco melhor do que a dos meus pais. Eu confio em tudo com a ajuda de Deus. Eu sei que a nossa turma recebeu dinheiro de pessoas de longe e que nos ajudaram com merenda, material para os trabalhos de arte e para celebrar festas. Eu quero agradecer todos vocês que nos ajudaram e em nome da turma de Alegre quero lhes dar um abraço bem forte.